segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Três.


Ela cochicha no meu ouvido o som do vento.
Eu descanso com minha morte, e deitado sofro.
A chuva cai no asfalto, em gotas calmas,
Doentes e frias.

Dilacero minha imagem, perdida no espelho.
Esse rancor louco preso em meu corpo.
Preso nas algemas que faço com meu corpo.
Fadigado como o cansaço e o rancor que exalam do meu sofrimento.

Sirvo um prazer único,
Um fogo fátuo, uma alma antiga.
Canto uma canção nova,
De amor louco, de pouca poesia.
Toco em um tom lírico,
Essa bossa, essa velha cantiga.
Grito mais um pouco,
Pelo sofrer eterno dessa alegria.

Esse som que emana do meu corpo,
Canta quando explode de prazer o seu corpo.
Nós descansamos na nossa morte,
Nos nossos deletérios casos de amor.

Eu ouço o ruído do pavor,
Do medo, do confronto, do conforto da cama.
Dilacero minha imagem, perdida em meus pensamentos,
Perdidos nessa alma viva, que confronta esse mundo.

Martirizo-me como posso.

Sirvo um prazer único,
Um fogo fátuo, uma alma antiga.
Canto uma canção nova,
De amor louco, de pouca poesia.
Toco em um tom lírico,
Essa bossa, essa velha cantiga.
Grito mais um pouco,
Pelo sofrer eterno dessa alegria.

As palavras lindas que flutuam pela sua boca.
Encantam essa sala, em um jeito louco.
Pode tocar minha alma sem medo de ser
Curando a ferida que existe e há de existir.

Sinto o sereno que ronda esse canto
Esse viver novo, repleto de prantos.
Sinto cada vez mais seu encanto
Teu apelo singular, que existirá sem mim.

Martirizo-me mais um pouco.

Sirvo um prazer único,
Um fogo fátuo, uma alma antiga.
Canto uma canção nova,
De amor louco, de pouca poesia.
Toco em um tom lírico,
Essa bossa, essa velha cantiga.
Grito mais um pouco,
Pelo sofrer eterno dessa alegria.

Martirizo-me em solidão.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A qualquer gentileza ou acaso.


O vento frio que bate no meu corpo
Renova a selva dentro da minha alma
Dilacero esses pensamentos loucos
E vivos! Guardados na lareira de minha sala.

Sinto-me tão confusa quanto mais solidão
E outra vez mais solitária que sinto paixão.
Nessa manhã acordei movimentada
Circulando meu planeta, circulando nossa felicidade.

Nessa manha em que te vejo, eu sinto aspereza.
Em sustentar esperanças e valsas antigas.
Sei que a mão estendida é por bondade
Sei que remetem sua solidão de fim de tarde

Dê-me essa sua paz, traduzida em seu jantar.
Nos seus sorrisos, nas suas caretas.
Surpreenda-me de novo e de novo e de novo.
Que eu me sustento em suas vertigens.

Nessa noite não há chuva, nem tão pouco minha ausência,
Nessa noite de verão há liberdade,
Há toda a paz contida nos meus pensamentos, agora seus.
Há a perspectiva de corações natalinos, ardentes em Deus.

Mas nessa tarde ainda serei de outra, e seus pensamentos serão meus.
Mas nossa memória alcança galáxias e passados longínquos.
Bossa e passos promíscuos. Nudez contida nos nossos desejos.
Eu me contento em ser sua, enquanto você dança com o seu melhor par.

A distancia não remete simples alienação.
Nós bebemos mais um pouco, e eu esqueço esse seu rosto.
Contento-me com minha quietação.
E vivo como posso, dentro do meu corpo cansado.
Da noite e da insolação.

Lucas Marino Vivot

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As cores e os amores.


Um tempo, em um universo, me abraça forte.
Tão forte.

Os mesmos desejos que tenho formam minha rotina.
Tão pobre.

Ela vem, com seus cabelos contra o vento, andando calmamente,
Seduzindo o fim de tarde,
Com um sorriso astuto. Marcado por verbos.
Ela vem, com uma só nota, um só verso.

São das cores esses novos desejos
Feitos a mão pelo meu segredo

Um tempo, em um universo, me abraça forte.
Tão forte.

Um amor, nessa estrada, forma nossa essência,
Tão nossa.

E se há de vir, de ser e estar marcado, em um compasso ritmado,
Também tem a duvida de viver, de acordar e ver,
Nossos sonhos repletos de sonos e vivacidade,
Entrelaçados pelos laços da morte.

Lucas Marino Vivot